sábado, 7 de novembro de 2009

O que exatamente tem naquela lata da ração?

Oi pessoal, aqui é o Gus:

Post rápido: vocês que conhecem as figuras, me digam o que há de errado nessa foto:


Sim, os dois estão lá, chapados, um do lado do outro. Viajandões mesmo. Acho que há algo estranho nessa ração de latinha que estamos dando para os dois. A Mafalda quer comer a tal ração umas 10 vezes por dia - e fica pedindo o dia inteiro. O Gandalf é mais "sutil". Ele começa a pedir:

- me dá aí, vai tio!

Depois, se o pedido não surte efeito, ele apela para a pena:

- aiiiii. Eu tô tão precisado... ahhhh! ninguém me ama. Ahhh.... vou morrer de fome (depois de ter comido um balde da ração seca).

Finalmente, se nada dá resultado, ele fica violento:

- Eu quero! Me dá ração!!!! Eu quero agora! AAAHHHHHH! (Miau)

Se ainda assim ignoramos, ele tomba, caiu no chão, e fica lá, como se estivesse letamente morrendo de inanição (pelo tamanho da "pochete" do gato, isso ia levar meses).

E assim, quando finalmente damos a ração da latinha, os dois comem que nem doidos e imediatamente vão dormir, chapados, às vezes juntos. Ou ficam com aquela cara de screen saver, meio zumbis. Definitivamente, essa ração é da lata...

domingo, 1 de novembro de 2009

Nossa família (ir)real

Hehehehe

O Príncipe Charles chega ao Canadá na semana que vem para aquelas visitas protocolares com direito a beijo de criancinha remelenta e buchada de bode.

Ele não vai visitar Manitoba, Alberta, e Saskatchewan - aparentemente ninguém liga a mínima para a família real por lá - e vai passar só uma tarde em Montréal - onde acho que a maioria deve mesmo é desprezá-lo. Também ausentes estão quaisquer referências às nações indígenas, ou a Nunavut, Yukon e os territórios - que ele não deve ter a menor vontade de conhecer, ou nem mesmo sabe que existem.

- Então, Majestade, o Primeiro-Ministro Harper acha que vosso intinerário deve contemplar uma visita aos Inuits. Uma visita pode gerar dividendos políticos para o governo canadense neste momento em que eles estão preocupados com a soberania no Ártico e...
- Inuits? Inuits? É um time de futebol? E o que futebol tem a ver com o Ártico? E que nome é esse?
- Majestade, os Inuits são uma nação indígena que habita o norte do Canadá e...
- Ah! Eles! Não! Não quero comer coração de foca!

Eu não entendo por que o Canadá ainda mantém esses laços políticos dinásticos com a Inglaterra. E eu entendo menos ainda que isso não seja nem discutido por aqui. Nada. Zip. Na Austrália, de tempos em tempos algum membro do parlamento levanta a bola e põe o assunto em discussão. Nunca deu em nada, claro, mas ao menos há debate público em torno do assunto.

Minha posição, pedindo vênia aos monarquistas de plantão eventualmente amigos do blog, pode ser resumida relembrando a famosa discussão no filme do Monty Python sobre o Rei Artur e a busca pelo Santo Gral:

King Arthur: I am your king.
Woman: Well I didn't vote for you.
King Arthur: You don't vote for kings.
Woman: Well how'd you become king then?
[Angelic music plays... ]
King Arthur: The Lady of the Lake, her arm clad in the purest shimmering samite held aloft Excalibur from the bosom of the water, signifying by divine providence that I, Arthur, was to carry Excalibur. THAT is why I am your king.
Dennis: [interrupting] Listen, strange women lyin' in ponds distributin' swords is no basis for a system of government. Supreme executive power derives from a mandate from the masses, not from some farcical aquatic ceremony.

Acho que não preciso dizer mais nada.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Coleção outono-inverno de chás

É a Carol.

Ontem visitei nossa querida loja de chá, a Pippins. Chá é um item de primeira necessidade aqui em casa. Durante o verão todo tomamos muito chá gelado, mas agora chegou a hora dos quentinhos.

A Pippins oferece uma imensa variedade de misturas de chás, além da possibilidade de você fazer a sua. Fora que a loja é uma gracinha e a dona é um amor. Ontem bati um bom papo com ela.

Aqui sempre temos Cream Earl Grey, que é o Earl Grey inglês com baunilha natural. Uma seda. O favorito do Gustavo.

Eu adoro o Rooibos, que conheci aqui. É um chá vermelho, suave e saboroso. A mistura que na Pippins se chama Provence inclui flores e frutinhas vermelhas.

Recentemente compramos também Masala Chai, o chá preto indiano com especiarias. Bem forte e muito aromático.

Daí ontem eu queria algo diferente. Nunca tinha provado chá de Maple (chá preto do Ceilão com extrato de maple), então levei. Provei hoje. É realmente muito diferente de qualquer coisa que já tomei. O maple é um pouco adocicado, mas também um pouco amargo e com um aroma defumado e amadeirado intenso. Demorei um pouquinho para me habituar, mas desceu maravilhosamente.

Meu Rooibos Provence está acabando, mas pedi a recomendação de algum outro Rooibos. A dona me deu para cheirar um misturado com algumas especiarias, mas sobretudo uns nacos imensos de gengibre e amêndoas. O aroma foi irresistível! Comprei e já caí dentro. Saborosíssimo.

Aí eu já tinha acabado, mas a Pippins faz uma fichinha dos clientes e, a cada não sei quantos gramas comprados, você ganha 50g de graça. Ela me disse que eu tinha direito a um pacote de 50g, se queria levar agora ou da próxima vez.

Que pergunta!

Mas aí fiquei sem saber o que querer. Ela me ofereceu chá verde, mas eu tenho um pacote gigantesco de chá verde com jasmin que comprei na Chinatown. Aí ela disse as palavras mágicas: "Cheire a nova combinação que eu criei."

É um tal Japanese Treasure. São 5 folhas diferentes de chá verde com algumas frutas, sendo pêssego a mais aromática. Trouxe e já tomei também (isso mesmo, tomei 3 chás novos em 2 dias)

Aí, papo vai e papo vem, em frações de segundos ela soube que eu estava indo para o Brasil. E me mostrou uma erva mate gaúcha. Expliquei que eu tomo e tal, mas desconversei porque não rola comprar chimarrão de 50g em 50g. Eu compro a quilo no mercado latino. Mas ela me disse que acabava de receber uma amostra de uma erva mate diferente, tostada. Falei que era comum no Brasil. Ela disse que estava fazendo uns testes, combinando-a com frutas, e queria chamar o chá de Heavenly Mate, mas na língua original. Sugeri Mate Celestial, que funciona tanto em português quanto em espanhol. Pedi para ela me avisar quando estiver pronto, porque o Gustavo ficou empolgado com a perspectiva de tomar mate carioca de novo.

Alguém reclamou do frio aí?

Caminhando por uma rua elegante de Toronto...

... avisto uma loja bacana de roupa esportiva e imediatamente sei que não é uma loja brasileira.


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Picolé de Ronald McDonald

É o Gus (rabugentando por aqui):

Como alguns de vocês sabem, por necessidade professional acompanho diariamente notícias e análises economico-políticas de diversas partes do mundo. São toneladas de e-mails que atrapalham muito a rotina do dia, mas fazer o quê? Em geral, apago a maioria sem ler; algumas vezes encontro coisas interessantes que gosto de guardar. Algumas vezes, no entanto, encontro notícias realmente interessantes e que contribuem para as grandes questões mundiais.

Pois foi assim que li uma notícia sobre a Islândia que anda circulando e sendo repetida em diversos jornais internacionais e newletters de think tanks americanos e europeus: A McDonald's (ou será "o" McDonald's"?) decidiu fechar suas operações naquele país! Oh, o terror, o terror. Deve ser uma dessas "travessuras" de Halloween. Como pode? Como eles sobreviverão??? Ahhhhh!!!!!

A notícia cita algumas razões de fundo econômico: com a crise, as operações ficaram muito caras, e está praticamente impossível importar cebola (isso mesmo) para fazer o Big Mac de cada dia. E, claro, como o país quebrou junto com os bancos (não necessariamente nessa ordem), os 300 mil islandeses devem estar reservando seu dinheiro para outras prioridades. Mas a reportagem vaticina: com a saída da McDonalds, a Islândia se juntará a uma classe de países europeus indesejáveis, até agora composta pela Albania e a Bósnia, onde cidadãos infelizes não podem comer seus Big Macs na esquina de casa (no mundo, eles também se juntam à Bolívia, ao que parece).

O que explica uma notícia dessas? Falta de assunto? Schadenfreude, aquela vontade irresistível de bater no cara caído (ha, ha, vocês estão tão ferrados que não tem nem McDonald's!)? Eu já li artigos que argumentam que estados adquirem ou desenvolvem armamentos complexos e caros, como por exemplo porta-aviões, submarinos nucleares, e armas atômicas, mais pelo status e pela necessidade de "parecer moderno" do que sua utilidade estratégica. Mas Big Macs (ah, tá, Quarteirão-com-Queijo se você preferir)? Será que realmente uma franquia de fast-food em "nosso mundo globalizado" determina o status de um país (bom, até que é possível, pelo andar da carruagem)? Ou será que a comida local é tão ruim que até o Big Mac se tornou imprescindível? Será que o Ronald McDonald se encheu de entrar numa fria e resolver fazer como os canadenses, mudando para alguma "sun destination" por aí? E quem será o próximo? A Pizza Hut?

Ah, as grandes questões da humanidade.

domingo, 25 de outubro de 2009

Final de tarde de domingo...

Oi pessoal, é o Gus...

estamos meio parados aqui no blog, eu sei, mas também estamos com muito trabalho...

Hoje o dia foi muito bonito, com sol (depois da semana chuvosa e cinzenta foi um alívio), e por isso me empolguei para ir caminhando até a academia. Duas coisas legais aconteceram: aqui perto de casa, ao lado do parque, uma raposa atravessou a rua e passou calmamente na minha frente, a coisa de uns 5 mestros mais ou menos. Me olhou meio de lado, como quem diz "pô, qualé, nunca viu uma raposa atravessar a rua para chegar no outro lado?" e seguiu para a ravina do riacho que corta o parque. Eu já havia visto uma raposa antes, mas nunca tão perto e no meio da rua. Legal...

Depois, na Danforth, estava atravessando a rua quando vi o sol, vermelhão, se pondo exatamente no meio da avenida, no oeste. O alinhamento estava tão perfeito que parecia uma cena de Indiana Jones, o sol batendo no solstício-seil-lá-do-quê e revelando o local exato da tumba do grande [preencha a lacuna]. A visão foi tão impactante que demandava sacrifícios humanos. Cadê as virgens e as crianças quando a gente precisa delas??? tsk, tsk...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Jantar bengalês

Oi pessoal, aqui é o Gus.

Há algum tempo estamos perturbando o Layes, que é de Bangladesh, para fazer um "jantar típico" com algum prato bengalês tradicional. Ele nos sugeriu fazer o Korma (ou Qorma), que é uma espécie de ensopado de galinha com batatas à base de curry. Na verdade, Korma é o nome do tempero, comum em toda a região, incluindo a Índia e o Paquistão, mas na culinária bengalesa também designa o prato como um todo.

Claro que não tínhamos pretensão de fazer o autêntico Korma, até porque isso pressupõe que o tempero seja preparado em casa, pela família. O Layes mencionou que nenhuma família bengalesa que se preze compra o molho pronto. Bom, como eu não sou bengalês, me reservei o direito de comprar o molho no supermercado mesmo... mas como um gesto de boa vontade comprei uma marca "autêntica" (para parecer que sabia o que estava fazendo, hehe). Além de vários temperos, os principais ingredientes do Korma são curry e iogurte (que, aliás, eles usam para tudo).


Com o atalho que pegamos ao comprar o molho pronto, ficou fácil de fazer o prato. Primeiro, fervemos algumas batatas picadas em cubos, e reservamos. Depois, refogamos uma cebola e alguns filés de peito de frango picados (compramos já cortados e congelados, o que facilita a vida, mas dá para fazer com qualquer parte do frango, de preferência desossado). Não acrescentamos nenhum outro tempero, só um pouco de óleo, e esperamos o frango ficar bem cozido. Jogamos as batatas e o Korma, acrescentamos um pouco de água, baixamos o fogo e deixamos cozinhando durante uns dez minutos, para a água evaporar um pouco e o frango pegar o gosto do tempero.

Enquanto o Korma cozinhava, preparamos como acompanhamento um guizado de grão de bico, também muito fácil. Compramos o grão de bico já pronto e enlatado, também para facilitar (a marca é boa, então não é tão nojento/industrializado quanto parece). Na panela, adicionamos ao grão de bico uma cebola e um tomate picados, sal e um pouco de curry. Refogamos tudo junto por alguns minutos (como o grão de bico já vem pronto, é mais para cozinhar a cebola e o tomate). Ao final, acrescentamos ainda um pouco de salsinha picada para dar uma enfeitada.

Com tudo pronto, o toque final: autêntico pão naan. E voilà. Um jantar semi-autêntico bengalês, fácil de fazer.


Ficou muito bom mesmo (e foi aprovado com louvor por quem mais entende do assunto por aqui: Layes, nosso consultor honorário para culinária de Bangladesh...)


Só uma observação da Carol:

Já que estamos na terra do multiculturalismo, como não podia deixar de ser, a refeição bengalesa foi precedida por uma sessão animação japonesa e seguida de brigadeiros bem tupiniquins!

E já estamos planejando outros intercâmbios gastronômicos!

sábado, 26 de setembro de 2009

Mudaram as estações... tudo mudou...


Depois de semanas a fio de sol gostoso, céu azul, brisa fresca e ar relativamente seco, entrou o outono aqui. Tempo feio, nublado, com muito vento. E as temperaturas caindo, caindo. À noite esfria bem e, a cada dia, não sobe tanto quanto no dia anterior.

Enquanto isso, no Rio, após todo aquele inverno congelante terrível, começou a primavera e a temperatura está batendo os trintinha....

Aqui, toda vez que eu digo que no Rio, no inverno, o clima é parecido ao da primavera ou fim do verão aqui, todos exclamam que deve ser a coisa mais maravilhosa do mundo, e por que cargas d'água viemos parar aqui, com este frio todo.

Pois bem... em novembro e dezembro lá vamos estar nós, fritando sob o abençoado sol carioca! Não sei por que, mas imagino que não vou achar tão ruim assim voltar para o invernão daqui, para desespero dos gringos que acham que somos malucos.

Como já dizia Raulzito, quero ficar maluco beleza...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Experiências muçulmanas, indianas e assemelhadas

Oi! É a Carol voltando a escrever depois de um longo e tenebroso... verão. Bom, na verdade nem tão longo, porque passou voando, e que de tenebroso não teve nada -- muito pelo contrário, foi maravilhoso!! Mas sabe como é, a gente trabalha 20 horas por dia e sobra pouco tempo para jogar tênis, colher ervinhas da nossa mini-horta, andar no parque, curtir a cidade e os amigos. O blog ficou meio esquecido, mas vou tentar voltar a escrever com alguma regularidade, porque assunto não falta.

Bom, se Toronto teve um efeito sobre nós, certamente foi o de nos tornar realmente cosmopolitas e abertos a novas experiências culturais. É inevitável curtir a cidade sem ao mesmo tempo interagir com todo tipo de etnia, cultura, religião, opção e tudo mais, pois Toronto é esse caldeirão doido.

Lembram que, no fim do ano passado, comemoramos Yalda (a celebração persa do solstício do inverno) com a Eli, e logo em seguida nosso Natal? Pois então. A Eli passou boa parte do ano no Irã.

Já aqui no nosso bairro, estamos rodeados de indianos, paquistaneses e bengaleses (bengalês é o povo lá de Bangladesh, viu? Eu sei que você sabia, só estava testando.) Tem mesquitas e lojas de produtos halal (o equivalente kosher dos muçulmanos) e videolocadoras de filmes Bollywood para todo canto. É tudo um tanto quanto... exótico para nós, e mesmo estando aqui há dois anos nunca exploramos muito essa cultura toda.

Mas este verão, por conta do tênis, eu conheci o Layes, um cara que mora a 5 minutos da nossa casa, é um jogador de tênis excelente, super boa praça, e logo viramos ótimos amigos. Como não tem família nem laços muito fortes por aqui, em pouco tempo se juntou à nossa turma de brasileiros, que como todo mundo sabe são as pessoas mais bacanas e fofas do universo. O Layes é bengalês e muçulmano, e por ser filho de diplomata já morou em vários países de todos os continentes. Então foi a nossa oportunidade de aprender tudo o que sabemos até o momento, que para falar a verdade é bem pouco, sobre toda aquela cultura do subcontinente indiano e sobre islamismo.

Nessa passou-se o Ramadã e, depois de 30 dias jejuando o dia todo, como era de se esperar os caras fazem uma superfesta com muita comilança no final disso tudo, na chamada Eid ul-Fitr. Mas o Layes está sozinho e disse que não ia fazer nada de especial. Então acabamos marcando de sair para jantar num restaurante indiano, logo aqui na Little India, que fica a uns 10 minutinhos de casa. A Gina e o Bob também foram. Dizem que a Little India aqui de Toronto é a maior comunidade indiana da América do Norte. Não sei se é, mas sem dúvida é grande, até porque engloba muito mais do que indianos. O restaurante é o Siddhartha, muito simpático e com ótimo preço. Nós tínhamos ido lá uma vez faz tempo, mas a verdade é que fica meio difícil quando não se tem ideia do que pedir. Agora, com o Layes lá explicando o que é o quê, pudemos experimentar muito mais coisas e apreciar melhor os diferentes pratos. O restaurante tem bufê (além de menu), então fica mais fácil provar um pouco de tudo.

Os temperos são bem diferentes, mas é interessante ver como tem muita coisa em comum também. Por exemplo, uma das sobremesas típicas é nada menos que arroz doce... (mas o da Vó Ruth é melhor! :-)

Na foto aqui à direita estão as bebidas que tomamos: limonada caseira com gás e lassi de manga -- quase uma batida (não alcoólica) com iogurte, deliciosa!

O bairro estava em polvorosa, repleto de gente estreando lindas roupas típicas, os homens todos de algodão branquíssimo, as mulheres empitucadésimas. Tinha muitas barraquinhas com quitutes na rua e bastante música. Parecia que a gente tinha se teleportado para outro país, quase só nós ali usando roupas ocidentais. Um barato.

Fizemos planos para explorarmos mercados indianos, com ajuda do Layes, para comprar temperos e ingredientes típicos e aprendermos a preparar algo em casa. Ele já está consultando devidamente a dona mamãe lá em Bangladesh para pegar umas receitas...

Recentemente saíram várias matérias no jornal aqui de Toronto sobre a população muçulmada, o Ramadã e a Eid. Para quem tiver interesse, aqui tem uma e aqui tem outra.

sábado, 19 de setembro de 2009

Férias de verão 2009: Prince Edward, Montréal, Québec e Ottawa!

***Atualizado com a inserção de mapinhas para ajudar a visualizar nosso trajeto! É possível dar zoom e arrastar o mapa para ver mais detalhes***

Como havíamos prometido (e estávamos devendo)... aqui vai um post a quatro mãos com nosso relato da viagem que fizemos a Prince Edward County + Kingston, Montréal, Québec + Île d'Orléans, e Ottawa. Maria Elena e Jorge, Carol e Gus. A viagem foi um superhiperpresente dos pais da Carol, começando no sábado, dia 8 de agosto e terminando no domingo, dia 16.


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Saímos de casa no sábado pela manhã cedo e passamos por Prince Edward County. O Rafa e a Erika já tinham visitado essa península sobre o lago Ontário e recomendaram. A paisagem é muito diferente daqui dos arredores de Toronto: muitos lagos, fazendas, vinícolas, trigais, macieiras, milharais, e cottages (as casas de campo do pessoal com dinheiro). Almoçamos em Wellington, que é uma cidadezinha minúscula na beira do lago, e pudemos apreciar de perto a alucinação coletiva dos canadenses com o verão: barcos, canoas e bicicletas por todo lado.

Depois exploramos um pouco mais a península e o que ela oferece: produtos frescos, vinhos e frutas. É interessante como em muitos lugares as fazendas, minúsculas para padrões brasileiros, ficam lado a lado com sítios super exclusivos. Paramos em duas vinícolas, e na Huff States compramos dois vinhos para o futuro piquenique (que acabou sendo deixado para Montréal...). Um detalhe curioso: tudo na região faz referência aos Loyalists - ingleses leais à coroa britânica que imigraram para o Canadá na época da independência dos Estados Unidos, recebendo terras e se comprometendo a ajudar a defender as fronteiras. A estrada que corta a ilha se chama Loyalist Parkway, e Kingston, uma cidade bem maior e à época uma das maiores da região, também tem várias referências a eles....

A principal cidade da península é Picton. Seria um exagero dizer que Picton é uma cidadezinha de uma rua só construída na beira da estrada; ela tem mais de uma rua... talvez umas 4 ou 5. Muito bonitinha. Passeamos, compramos chocolates (bons, muito bons...) e encontramos um velhinho muito simpático que ficou batendo um papo e fazendo perguntas sobre o Brasil e a Argentina... coisa de cidade de interior...

Depois demos uma volta de carro pelo sul da ilha, seguindo através das fazendas, macieiras e trigais. A paisagem ficou ainda mais rural, mas também mais bonita. Entre Waupoos e Glenora paramos em uma queijaria muito boa, chamada Fifth Town, que faz queijos artesanais com leite de cabra. Compramos três queijos (e saímos correndo para não comprar mais nada...) que ficaram para o agora já muito aguardado piquenique. Quase na ponta da ilha pegamos a estrada e cruzamos de volta para o continente em uma balsa, perto de "Lake on the Mountain". Aliás, belo lugar. O lago de águas claras fica dentro da península, acima do nível do lago Ontário. Tiramos algumas fotos bonitas por lá. Depois, seguimos para Kingston, para passar a noite.


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Acordamos em Kingston para o passeio de barco pelas "Thousand Islands" -- meio que no encontro do rio Saint Lawrence com o lago Ontário, um delta grande pontilhado de ilhas. O dia estava feio e chuvoso, e o passeio pelo rio e as ilhas não foi muito bonito. Mas Kinsgton é uma cidade interessante, não muito pequena (em torno de uns cem mil habitantes), e com muita história. Atualmente, vive do turismo, da universidade de Queens, e da Real Academia Militar do Canadá (tá, dá para morar lá, se você quer saber). Almoçamos em um bistrô/padaria muito boa, chamada Pan Chancho, e que havia sido altamente recomendada pelo pessoal da queijaria de Prince Edward. Apesar do nome muito bizarro (Chancho é porco em espanhol), comemos muito bem e aproveitamos para comprar o pão (muito bom, por sinal) para o nosso famoso piquenique...


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De Kingston rumamos para Montréal. Nós já conhecíamos a cidade (recomendamos muito), mas voltamos para que o Jorge e a Maria Elena também conhecessem (e, claro, voltaríamos de novo, outras vezes). Chegamos em Montréal no final do domingo, e ficamos em um hotelzinho muito simpático chamado Hotel LaBelle, que já conhecíamos. Ele é barato, limpo, e tem a grande vantagem de estar perto da muvuca sem estar na muvuca... Aproveitamos o final do dia para dar uma volta pelo Quartier Latin, a Rua St. Denis, e (mais importante) para matar a saudade do café da Brûlerie St-Denis, que tem uma filial na rua do mesmo nome. Ingleses e, por tabela, canadenses, definitivamente não sabem fazer café, mas com franceses e simpatizantes a história é outra. Uma das atrações do café de lá é que ele é torrado e moído no dia na própria loja. Show. Quando voltamos para o hotel, tivemos o nosso famoso piquenique, acrescido de algumas iguarias que havíamos comprado em uma loja de conveniência perto do hotel. A loja foi um espetáculo a parte, já que tinha queijos, frios, patês e frutas de muita qualidade, e bebida alcoólica (em Québec, ao contrário de Ontário, é possível comprar vinhos e cerveja nos supermercados).

Na segunda, o Gus se enrolou por conta de problemas na faculdade (na verdade, problemas de comunicação do professor do curso de verão no qual ele estava trabalhando) e precisou voltar às pressas para Toronto para ajudar na fiscalização da prova final e pegar os exames para corrigir e devolver na sexta. Ele estava soltando fumacinha de tanta raiva... Compramos a passagem e ele foi para Toronto na própria segunda, voltando na terça pela manhã. Enquanto isso, a Carol, o Jorge e a Maria Elena aproveitaram o dia pela cidade velha (Montréal Vieux). Um dos pontos altos do bairro, além da região do porto, é o Museu de Arqueologia da cidade, que foi construído em um lugar onde haviam descoberto as fundações das primeiras edificações e fortificações da cidade. O andar térreo é reservado a exposições temporárias, mas no subsolo o visitante anda pelas ruínas e escavações, o que é muito bacana.

O Gus voltou na terça, com as provas debaixo do braço, e depois do almoço, enquanto corrigia com muito boa vontade o produto intelectual dos aluninhos, o Jorge e a Maria Elena foram passear com a Carol pela cidade, subindo até o Mont Royal. À noite, fomos para um show de luzes e sons (e, para nosso constrangimento, cineminha-B-tipo-discovery-channel) na Catedral de Notre Dame de Montréal, que é belíssima. Abstraindo um pouco dos atores péssimos, a apresentação é muito bem feita e conta toda a história da igreja (misturada com a história da cidade), usando como telões uns panos que inicialmente ocultam as duas laterais e o altar, mas depois vão sendo recolhidos para permitir ver os detalhes da arquitetura da igreja, que é destacada com efeitos de luz.


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Quarta pela manhã nos despedimos de Montréal rumo à cidade de Québec, capital da província. Tínhamos grandes expectativas, todos nos disseram que a cidade era muito bonita e legal. No caminho, demos uma volta em uma ilha do Rio Saint Lawrence perto de Québec, chamada Île d'Orléans. A ilha nos lembrou bastante Prince Edward, só que mais bonita, pitoresca e charmosa. Paramos na vila de Sainte Pétronille e almoçamos no restaurante La Goéliche (por sinal, recomendamos!), e depois circulamos a ilha toda por uma estrada chamada Chemin Royal. Tudo muito bonito, alguns sítios milionários, e fazendas e mais fazendas, principalmente de trigo, maçãs, e batatas. Em Saint-François paramos na praça da igreja, com uma vista muito bonita do rio, e aproveitamos para comprar pão em uma padaria artesanal (estava quase fechando, foi na hora!). Entre Saint-François e Sainte-Familie paramos em uma torre que tinha uma vista panorâmica da ponta da ilha, do rio e das Laurentian Mountains na margem esquerda do rio. Muito bonito. Como já estava ficando tarde, partimos para Québec, parando ainda em Sainte-Familie na beira da estrada para comprar mais queijos artesanais, e finalmente em uma cidreria que nos havia sido recomendada. Abastecidos para um segundo piquenique, fomos para Québec.

Chegamos à noite em Québec, e ficamos em um hotel um pouco afastado do centro. Aproveitamos para fazer o nosso segundo piquenique, também no quarto... no dia seguinte, quinta-feira, pegamos um ônibus que passava na porta do hotel e ia até o centro da cidade. Foi a melhor coisa, apesar de termos de esperar um pouco, porque é muito ruim estacionar na cidade - cheia de ônibus de turismo e com poucas vagas. Passeamos por toda a parte velha da cidade, que é muito bonita, e subimos até o parlamento e a parte nova. Marcamos uma visita guiada ao Château Frontenac (aquele que parece um castelo, bem no meio da cidade) e fomos almoçar no restaurante Aux Anciens Canadiens, muito bom por sinal (apesar de parecer meio pega-turista). Os pratos são de estilo campestre, com coisas típicas da região.

Québec é realmente muito bacana, mas nessa época fica muito cheia de turistas, que como em Montréal chegam em hordas montadas em... ônibus e mais ônibus. Para nossa sorte, em geral esses turistas vêm para passar apenas o dia: são despejados na praça em frente ao Château Frontenac e ficam rodando e tirando fotos apenas na parte central da cidade. Descobrimos umas ruazinhas e praças escondidas onde havia pouca gente, e tentamos evitar passar pelas ruas mais movimentadas. Às 5 horas, quando tínhamos a nossa visita guiada no Château Frontenac, as hordas estavam embarcando nos ônibus para ir embora... após a visita, encerramos as atividades do dia, e pegamos o ônibus de volta ao hotel.

Sexta-feira, mais um dia de andanças pela cidade. Pela manhã, fomos à Cidadela (que ainda funciona como um forte do exército canadense) e fizemos uma visita guiada. Depois, descemos para a parte baixa da cidade (Chemin Champlain e Place Royal), onde estão as casas mais antigas da cidade (algumas ainda do século XVII), e paramos para almoçar em um restaurante muito simpático (e bom) chamado Cochon Dingue (traduzido como "porco doidinho" ou algo assim - mais um porco na nossa viagem, hehe). Aliás, por falar em porco, comemos a especialidade de casa, costeletas de porco com um molho tipo barbecue, muito boas mesmo. Nesse dia, voltamos para o hotel para a nossa última noite... no dia seguinte, saímos cedo para Ottawa.


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Sábado pela manhã fomos a Ottawa. A distância entre Québec e Ottawa é longa, então fizemos uma parada estratégica em Lachutte, uma cidadezinha no meio do caminho) para o piquenique derradeiro. A cidade havia sido invadida por centenas de motos e triciclos, que estavam por toda parte. Achamos um parque simpático à beira de um rio, fizemos nossa última refeição em Québec, e seguimos para Ottawa, a capital do Canadá, por estradas secundárias bem interessantes.

Chegamos à Ottawa na tarde de sábado. Na verdade, o hotel ficava em Gatineau, cidade dormitório na outra margem do Rio, em Québec (Ottawa fica na divisa entre Ontario e Québec; a cidade de Ottawa propriamente dita fica no lado de Ontário, e Gatineau no lado de Québec, e por toda parte se ouve uma mistura singular de inglês e francês). Como não tínhamos muito tempo (voltávamos para Toronto no dia seguinte), aproveitamos o final de tarde para visitar a colina do parlamento e dar uma volta pelo centro da cidade. Após o jantar, voltamos para o hotel. No dia seguinte, domingo pela manhã, o ponto alto da visita: o Museu das Civilizações. Muito bacana mesmo, principalmente a parte dos tótens e diversos povos nativos aqui do Canadá. Legal também foi a exposição sobre a vida no Canadá, na qual eles reproduzem diversos ambientes e expõem objetos históricos desde os primeiros Vikings que chegaram na região da Terra Nova no ano 1000 até os anos 70 e 80, passando pelas diversas levas de imigrantes, o boom das ferrovias, e praticamente toda a história do Canadá europeu. Valeu a pena. Terminada a visita... de volta a Toronto!


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Este é um álbum reduzido, mas com uma boa amostra do que vimos. Para ver as fotos em maior resolução, basta clicar nele e ir par ao álbum no Picasa.



Aliás, tiramos muito poucas fotos de Montréal, pois estivemos lá 4 duas no ano passado. Então, para ver muitas fotos de Montréal, basta folhear nosso álbum anterior.